Notícias

Igualdade de género no centro de novos discursos

A Harvard Business Review publicou no passado dia 28 de março um artigo sobre a necessidade de se abrirem novos caminhos e novas reflexões sobre as mulheres na liderança das organizações. A autora do artigo, Avivah Wittenberg-Cox, diretora-executiva da 20-first e escritora do livro “Seven Steps to Leading a Gender-Balanced Business”, acredita que chegou a hora de repensar as questões relacionadas com o género. Num mundo cada vez mais global, o papel da mulher tem vindo a ganhar destaque e são várias as mulheres que estão em postos de liderança em organizações de renome. 

Wittenberg-Cox relembra que 60% dos licenciados a nível mundial são mulheres e são também elas que detêm maior controlo sobre as decisões de compra. Este quadro é bem patente nos Estados Unidos. Mulheres com menos de trinta anos ganham mais do que os seus colegas do sexo masculino e 40% dos lares americanos têm a mulher como o seu principal sustento.

A autora, que trabalha com diversas organizações em todo o mundo, testemunhou um grande avanço nestas questões. Os gestores de empresas de topo estão muito satisfeitos com a performance das mulheres nas organizações. Na realidade, Wittenberg-Cox afirma que alguns deles admitem que “as mulheres mais jovens superam os colegas do sexo masculino”, daí que a contratação no feminino se intensifique cada vez mais.

No entanto, este parece não ser o espelho da maior parte das organizações. O progresso em questões de género parece ser tímido. As mulheres continuam a não ter muita representatividade em cargos de topo. Neste âmbito, a autora deteta uma espécie de erro de concordância. Se por um lado se vê um grande potencial na mulher, por outro esse potencial não é explorado, já que a ausência das mulheres em cargos sénior continua a ser proeminente.

É neste ponto que Wittenberg-Cox realça a necessidade de se incrementar uma mudança de discurso. A autora acredita que culpar as questões de igualdade ou assumir que o problema está nas mulheres e na sua competência não contribui para mudar atitudes e práticas dentro das organizações. O foco deverá estar na oportunidade que poderá advir daqui. O essencial será auxiliar as organizações a encontrar o equilíbrio entre os géneros em posições de liderança, alcançando uma performance corporativa mais sustentável – “Construir uma organização equilibrada em termos de género exige habilidade, determinação e coragem. (...) Isso é o que as melhores empresas fazem. Elas colocam o foco e a prestação de contas onde a mudança acontece: na linha da frente”.

Seguindo esta lógica, o GCNP lançará, já no próximo mês de maio, o programa das Nações Unidas – Women’s Empowerment Principles. Os sete Princípios de Empoderamento das Mulheres serão divulgados junto das empresas portuguesas com o intuito de combater os paradigmas de género e assegurar a igualdade no mercado de trabalho e na sociedade.

O GCNP quer ajudar as empresas portuguesas a criar mais-valias para os seus negócios e a implementar estratégias que assegurem benefícios para o funcionamento dos mercados e da sociedade em geral. Neste domínio, Mário Parra da Silva, Network Representative da Global Compact Network Portugal, vê este programa como uma oportunidade de revitalização das empresas e dos próprios mercados: “É imperativo que empresas portuguesas reconheçam a importância dos sete princípios para o desenvolvimento sustentável. É necessário criar um motor de competitividade que tenha em conta a mulher e valorize a sua posição no mercado de trabalho. Está na hora de se formarem parcerias estratégicas que garantam um futuro diferente, mais coeso e mais próspero”.