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Mensagem anual do Chair of the Board

A Agenda 2030 é uma mensagem de confiança no futuro que queremos. Por isso é tão cativante para os jovens e por isso foi tão rapidamente adotada por tantas e tão variadas organizações em todo o mundo.

As notícias que vamos recebendo, tanto no plano ambiental como social, são normalmente algo catastrofistas e é bom que assim seja para que nos fique evidente a gravidade da situação e a urgência da resposta. 

Mas só há ação quando há esperança e as novas gerações exigem essa esperança no futuro. Quando todos os Países nas Nações Unidas aprovam essa Agenda e os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ainda que em alguns e ainda que em certos setores haja um pouco de hipocrisia, temos razões para alegria e confiança no futuro.

Foi muito grande o impacte ambiental dos erros resultantes da industrialização ao serviço do consumismo, usando energia fóssil e materiais não recicláveis.  Mas também é enorme o conjunto de recursos que se estão a canalizar para a sua mitigação e eliminação. Não será fácil, é o maior desafio que a espécie humana enfrentou até à data, mas a consciência do problema é quase universal e gera uma enorme corrente favorável ao nível da cidadania. 

Já o mesmo se não pode dizer ao nível do consumidor. Neste papel o ser humano é mais egoísta e menos preocupado com problemas gerais do que com a sua capacidade de comprar o que deseja.

Muito do papel que se espera das Empresas, além de soluções inovadores e sustentáveis, é fazer desaparecer esse salto que se pede ao consumidor que arrisque para ser um cidadão para a Sustentabilidade.  Não deve existir “gap” entre as escolhas, porque nos arriscamos a ficar pelas boas intenções, continuando as más práticas. No final teremos mesmo de mudar de estilo de vida e deixar cair a “felicidade da posse” em beneficio da “felicidade do uso”, trocar a posse do “meio” pelo gozo do “objetivo”. 

Mas a estrutura produtiva está em mudança, o que significa que ainda não mudou. Ora dessa estrutura dependem empregos e economias saudáveis. A mudança vai levar o seu tempo, para ser gradual e não disruptiva. Nesse entretanto continuarão os impactes negativos. Logo temos de reduzir os danos em todas as frentes possíveis  sabendo que isso não chegará e que um novo estilo de consumo e de fruição poderá gerar uma economia sustentável.

E a par disto teremos de reduzir outro “gap” – o da crescente diferença entre ricos e pobres, não apenas entre Países mas também entre partes do mesmo País. E continuar a promover a democracia, a difícil, a do contrato social, sem cair na fácil – a do populismo social, que tudo promete até que fica evidente que não pode cumprir. 

Que desafio para todos nós! Problemas globais aos quais temos de responder com atividades locais, que, se bem sucedidas, até podem evoluir para atividades globais também.

Na Global Compact Network Portugal juntamos ideias e iniciativas para estes fins, e procuramos dar-lhe ressonância global.

Ajude-nos.

 

Mário Parra da Silva

Chair of the Board