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SRS 2020 | Inovação e Tendências Sustentáveis na Saúde

No ano em que iniciámos a "Década da Ação", tal como António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, a definiu em janeiro de 2020, a Global Compact Network Portugal e a Associação Portuguesa de Ética Empresarial promoveram a 15.ª Edição da Semana da Responsabilidade Social. A pandemia da COVID-19 trouxe um conjunto de desafios económicos, sociais e ambientais, exigindo uma ação redobrada em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Por esse motivo, a Década da Sustentabilidade foi o tema da 15.ª Edição da SRS®.

A Accenture Portugal, participante da Global Compact Network Portugal, associou-se a esta iniciativa, coorganizando a conferência "Inovação e Tendências Sustentáveis na Saúde". Fazendo um rescaldo da participação da organização, Patrícia Antunes (PA), Responsável pela área de Corporate Citizenship da Accenture Portugal, explica, em entrevista, que “ao abraçarmos esses desafios com a ingenuidade humana e com a curiosidade que nos caracteriza, as mudanças a que iremos assistir nesta década serão certamente tranquilas e benéficas para todos os nossos stakeholders e para a sociedade em geral”.

 

SRS 2020: Diversas são as referências feitas ao facto de que a Covid-19 tem tido efeitos positivos a nível da sustentabilidade, essencialmente em termos ambientais (pela digitalização de inúmeros serviços) mas também sociais (através do teletrabalho). Qual é a perspetiva da Accenture relativamente a esta questão? Considera que a pandemia Covid-19 veio abrandar ou acelerar a concretização da Agenda 2030 da ONU?

PA: Acreditamos que os tempos de crise, por mais desafiantes que possam ser, são normalmente marcos históricos na humanidade, que impulsionam a inovação e a criação de soluções nunca antes imaginadas. Esta pandemia veio acentuar a necessidade de digitalização da economia mas evidenciou também o forte impacto que todas as empresas e organizações têm na Natureza.

Com esta necessidade de adaptação, acreditamos que as organizações terão de se reinventar integrando diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos seus modelos de negócio. Por um lado, os ODS 8, 9 e 12 parecem-nos claros nesta interseção entre o crescimento económico, trabalho digno, a inovação e infraestruturas resilientes e uma produção e consumo sustentáveis. Por outro lado, as empresas e organizações privadas, bem como o setor público, perceberam a necessidade de incorporar na sua estratégia os ODS 3, 4, 5 ou 10, por exemplo, para garantir o acesso a serviços de saúde e de educação universais bem como para garantir a igualdade e diversidade como catalisador da paz social, de uma cultura de bem-estar e de identificação dentro das organizações e até mesmo de criação de soluções mais estáveis e globalmente aceites.

Paralelamente, ao nível do impacto na natureza e nos ecossistemas, sem dúvida que esta pandemia veio demonstrar os efeitos positivos imediatos de uma economia com menor intensidade carbónica, através da redução na mobilidade urbana e internacional, na redução da produção industrial em alguns setores e no fundo no abrandamento do ritmo social. Mas é muito importante notar que estas ações não se traduzem em efeitos imediatos na desaceleração do aquecimento global. O efeito de estufa é causado por um efeito cumulativo das emissões de carbono as equivalentes pelo que a ação climática torna-se ainda mais emergente. Quando verificamos que, mesmo abrandando drasticamente a economia não observamos efeitos ao nível do aquecimento global, percebemos a inevitabilidade das consequências associadas. Assim, julgo que esta crise veio acentuar a necessidade de fazermos um sprint nestes 10 anos que nos faltam até 2030, nomeadamente no que toca aos ODS relacionados com a natureza, como o 13, o 14 ou o 15.

Mas também estamos convictos de que os mesmos são possíveis de atingir, se acreditarmos na tecnologia e na criatividade humana. São elas que nos vão permitir encontrar as melhores soluções a nível global para sequestrar carbono, para converter resíduos em novos materiais, para limpar os nossos oceanos e para aumentar os níveis de biodiversidade nos ecossistemas. É para estas soluções que trabalhamos desde há vários anos, cada vez com maior clareza e dedicação.

SRS 2020: Em termos de sustentabilidade, quais são os grandes focos de ação da Accenture Portugal para esta década?

PA: Acreditamos que a aceleração para o digital representa uma oportunidade disruptiva para criar um melhor futuro para todos. A nossa estratégia passa por incorporar negócios responsáveis em todos os nossos serviços para os nossos clientes, operando também a nível interno como um negócio responsável. Para ajudar a implementar essa estratégia, foi nomeado recentemente o nosso Chief Responsibility Officer and Global Sustainability Services Lead que fará parte do Comité de Gestão Global da Accenture.

Ao nível de temas prioritários, diria que podemos falar de seis pontos fundamentais com objetivos concretos e ambiciosos para os quais temos vindo a trabalhar e já com alguns resultados além das expetativas, nomeadamente a Inovação para a Criação de Impacto Social – um dos objetivos que resultará na formação de 3 milhões de pessoas, no aumento da transição sustentável de programas de gestão de competências para empregos e negócios sustentáveis e melhor monitorização de resultados; e a aliança de organizações para diminuir lacunas globais de emprego; Criação de um ambiente de trabalho realmente inclusivo – uma das nossas prioridades -, que nos permite atrair, desenvolver, inspirar e recompensar talentos; Saúde, Segurança e Bem-estar – uma componente fundamental para promover o bem-estar físico e mental das nossas pessoas; Foco no ambiente - na Accenture consideramos que uma componente imprescindível de liderança num negócio responsável é tomar ações climáticas concretas. Na última década temos assumido objetivos ambientais cada vez mais ambiciosos a nível interno, inovando continuamente a nossa abordagem de sustentabilidade e realizando investimentos para atingir esses objetivos. Para esta década definimos um novo nível de compromisso e objetivos líderes na indústria:

  • Atingir balanço zero de emissões até 2025: Iremos focar-nos em primeiro lugar na redução das nossas emissões, recorrendo a fontes energéticas 100% renováveis, influenciando e envolvendo os nossos fornecedores para reduzir as suas emissões e capacitando as nossas pessoas para tomarem as decisões mais inteligentes em termos de ação climática. Para compensar as restantes emissões inevitáveis, iremos investir em soluções baseadas na natureza para captura de carbono como plantações de árvores em larga escala.
  • Atingir produção zero de resíduos: Até 2025 iremos reutilizar ou reciclar 100% dos nossos resíduos elétricos e eletrónicos como computadores e servidores, bem como de todo o mobiliário dos nossos escritórios. Estamos comprometidos em eliminar todo o plástico de uso único logo após situação de pandemia.
  • Gerir o risco associado à água: até 2025 vamos desenvolver planos para reduzir o impacto de cenários de inundação, seca ou escassez de água no nosso negócio e para as nossas pessoas em áreas de elevado risco. Estamos também a começar a medir e reduzir a utilização de água nesses locais.
  • Aderimos também à iniciativa Business Ambition 1.5º do United Nations Global Compact a nível global, juntamente com mais de 300 empresas que assinaram este protocolo. Somos a maior empresa de serviços com um objetivo baseado na ciência aprovado pela Science Based Targets Initiative. E estamos comprometidos com a iniciativa global RE100 para utilizar eletricidade de fontes 100% renováveis até 2023.

Por outro lado, pretendemos desenvolver uma cadeia de fornecimento responsável, procurando alcançar o aumento da excelência nas compras sustentáveis, continuamos a rever e a atualizar os nossos processos de gestão de fornecedores e prestadores de serviços. Este ano, estamos a desenvolver um novo Modelo de Gestão de Risco que irá fortalecer os pontos de controlo ao longo de todo o ciclo de fornecimento e irá permitir garantir que os nossos fornecedores suportam os nossos compromissos incluindo sustentabilidade ambiental, ética, direitos humanos, inclusão, diversidade e inovação social; Living our Core Values - o nosso compromisso com a ética, os direitos humanos e bom governo é o elemento chave para a nossa estratégia de negócio e essencial para o nosso progresso, diferenciação e salvaguarda das nossas pessoas, clientes, marca e desempenho financeiro.

Ao nível dos serviços que prestamos, posicionamo-nos como um parceiro-chave no apoio à digitalização e inovação tecnológica dos nossos Clientes em todos os sectores económicos. Mas o nosso modelo de negócio é muito mais complexo e exigente: pretendemos apoiar os nossos Clientes nesta viagem, contribuindo também para os seus próprios objetivos de desenvolvimento sustentável, e em simultâneo apoiar a sociedade e as nossas pessoas neste percurso garantindo que estes três pilares se mantêm perfeitamente equilibrados.

Por tudo isto e pelo próprio ADN da Accenture, sempre focada na inovação e no futuro, acreditamos que aportamos valor real aos nossos clientes pelo constante foco numa visão a médio e longo prazo, fundamental para garantirmos uma sociedade sustentável, sólida e global, agora mais do que nunca.

SRS 2020: Por que motivo “a sustentabilidade é um imperativo” para a Accenture?

PA: A Sustentabilidade não é apenas um tema em que tocamos, é um conceito embebido no nosso modelo de negócio, na nossa cultura e nos nossos objetivos estratégicos.

Não temos dúvida de que nenhuma organização será bem-sucedida a médio-longo prazo se não incorporar os fundamentos da sustentabilidade no seu modelo de negócio.

A sustentabilidade é, cada vez mais, um fator de competitividade das empresas e tem um peso cada vez maior para a sociedade. Segundo o relatório Fjord Trends 2020, não é uma questão de sustentabilidade versus lucro, mas sim uma estratégia essencial para a manutenção do negócio: “Companies that don’t adapt – including companies in the financial system– will go bankrupt without question. [But] there will be great fortunes made along this path aligned with what society wants”, afirmou o Bank of England Governor Mark Carney.

A sustentabilidade é, como já referido, um fator essencial para a agilidade competitiva das empresas, tornando-se, cada vez mais, um peso pesado na escolha dos consumidores e na sua sensação de confiança. Acreditamos também que a tecnologia tem um grande potencial para alavancar o progresso na concretização dos ODS e que a transformação digital das empresas é fulcral para uma transformação holística das empresas e para o seu desenvolvimento sustentável.

Assim, este conceito guia-nos na definição da nossa estratégia de desenvolvimento de negócio, aliada a uma estratégia de responsabilidade ambiental e social para com a sociedade, aprofundando uma cultura de ética e de bom governo bem como, de inclusão e diversidade e de cuidado e bem-estar, para com as nossas pessoas.

Acreditamos que os desafios inerentes a um futuro sustentável trazem-nos também muitas oportunidades de negócio, de inovação, de evolução, de resiliência e de contribuição para o bem maior. Estamos certos de que, ao abraçarmos esses desafios com a ingenuidade humana e com a curiosidade que nos caracteriza, as mudanças a que iremos assistir nesta década serão certamente tranquilas e benéficas para todos os nossos stakeholders e para a sociedade em geral.

SRS 2020: Na 15ª edição da SRS®, o tema em destaque na V/ sessão foi “Inovação e tendências sustentáveis na saúde”. Por que motivo a Accenture Portugal promoveu o debate em torno do mesmo?

PA: A saúde e sustentabilidade são duas apostas claras da Accenture. Tratam-se de dois pilares de crescimento estratégico para a Accenture, sendo dois conceitos que estão intrinsecamente relacionados.

Segundo a OMS, sustentabilidade vai para além da questão ambiental, pois engloba, também, aspetos económicos, sociais e culturais, uma conjunção de fatores que tem tudo a ver com a ideia de saúde integral. Atitudes sustentáveis podem trazer grandes benefícios para a saúde, do mesmo modo que atitudes saudáveis podem estimular a sustentabilidade.

Enquanto olhamos para um novo futuro, apercebemo-nos que a pandemia global estimulou um grande esforço de inovação dos nossos clientes. O nosso papel tem sido responder às necessidades dos nossos clientes do setor da saúde a nível tecnológico, colocando-os em contacto com soluções que potenciem a sua atividade ao máximo, com a maior segurança e agilidade e, claro, que facilitem o contacto com pacientes e profissionais de saúde, tendo sempre como foco o melhor atendimento possível.

A Accenture acredita que as novas formas de negócios terão um impacto nas estratégias de todas as organizações de saúde, em particular nos próximos dois anos. Neste novo modus operandi, terá impacto a permanência da distância, a qual passou de "conveniência" para "necessidade", levando a uma mudança monumental e estrutural nos modelos de atendimento, espaços físicos e experiências do paciente; o espírito de comunidade - evoluímos da liberdade individual para o “bem comum”. Haverá maior ênfase nos resultados com benefícios para a sociedade em geral; a pandemia - a resposta de emergência transformou-se numa necessidade persistente de resposta à pandemia, o que requer novas abordagens operacionais para gerir a capacidade e os volumes de doentes, minimizando o fecho e consequente crise financeira no país.

Tornou-se necessário ligar perfeitamente a saúde, a sociedade e o trabalho por meio de uma nova estrutura, superando a incerteza e reimaginando a saúde. Várias são já as tendências tecnológicas que começam a surgir e a intensificar-se, como é o caso da Inteligência Artificial, que promete revolucionar a prestação de cuidados de saúde. A premissa de que os dados são “o novo petróleo” tem culminado numa aposta cada vez mais visível em ferramentas de Inteligência Artificial. Um exemplo disso são as assistentes virtuais de saúde, que podem ser os personal trainers do próprio doente, prestar informação e até ser uma companhia.

A telemedicina é outra grande tendência que pode melhorar o acesso a cuidados de saúde por parte dos cidadãos, localizados em geografias mais remotas e com menores condições de acessibilidade e de mobilidade. Este conceito tem vindo a traduzir-se na realização de consultas à distância (teleconsulta) e na monitorização remota de doentes em situações mais frágeis (telemonitorização).

Uma das aplicações mais interessantes da telemedicina nos centros de saúde pode passar pela realização de consultas de especialidade, nomeadamente em situações de pré-operatório em que o follow-up do médico pode ser efetuado de forma remota. Desta forma, o doente poupa deslocações ao hospital que causam desconforto e contribuem para custos desnecessários.

SRS 2020: Numa frase, como é que a Accenture Portugal define a Década da Sustentabilidade?

PA: Esta será a década da mudança, da inclusão e das estratégias transversais que permitam incorporar e superar as necessidades e expetativas dos nossos stakeholders, gerando valor em 360º para toda a sociedade.

 

11-01-2021