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Scoop | Uniting Business to responde to COVID-19

A Global Compact Network Portugal (GCNP) convidou a CEO da Scoop, Mafalda Pinto (MP), a apresentar as estratégias da sua empresa para responder aos desafios impostos pela Covid-19, dando a sua perspetiva sobre o que poderá ser feito, pelas PME, para que a economia recupere desta crise, e reforçando que “a economia circular é sem dúvida um fator de resiliência e competitividade”.

GCNP: Quais são, na sua perspetiva, os maiores desafios desta pandemia, para a sua organização e para as PME em geral?

MP: Quer para a nossa organização, quer para a indústria em geral, estamos a navegar em águas desconhecidas. As empresas estão a adotar abordagens diferentes, mas todas estão unidas sob a mesma incerteza em relação à fase pós-Covid.

O maior desafio será certamente também a maior oportunidade: a capacidade de visão muito além do momento presente, perceber como serão os clientes do futuro, quais as suas exigências e restrições e o que os fará usar Portugal como parceiro preferencial.

Estas questões são a base dessa visão que devemos construir já, mas a preocupação em manter as empresas a trabalhar nesta fase é o desafio maior. O focus está no presente e em como sair ileso do «olho furacão», não permitindo ter a lucidez necessária para a construção dessa visão a longo prazo, o que pode comprometer seriamente o futuro da nossa indústria e das PME em particular.

O momento é altamente positivo se for usado para planear e refletir na forma mais eficaz de reinventar a nossa aposta, criando propostas para o futuro baseadas no novo «normal», e enquanto nos rendemos à situação, preparar uma estratégia concertada de «ataque» principalmente á Europa com todas as armas que Portugal tem para oferecer e alinhando com a politica do «buy local, sell local» que muito tem sido alvo de discussão nos últimos anos. Para isso precisamos que instituições, governos e empresas se unam numa força única.

GCNP: O que é que a sua organização está a fazer em concreto para responder aos novos desafios de mercado impostos pela pandemia Covid-19?

MP: A nossa organização optou por manter a produção a laborar e ter colaboradores em teletrabalho, isto permitiu desde cedo começar a trabalhar numa estratégia que chamamos a Era Pós-Covid19, foi criado um comité que semanalmente se debruça sobre os temas mais atuais do futuro do Supply Chain.

Desde logo decidimos que a aposta principal seria na continuidade dos clientes atuais e dos seus produtos e embora estejamos a produzir alguns dos produtos mais procurados como sejam as máscaras, entendemos que a aposta destes produtos deveria ser para um segmento de mercado médio-alto e sempre que possível para Private Label.

A nossa aposta passa por perceber e implementar processos que alinham com o novo normal, há situações que vieram para ficar por um longo período, reuniões “virtuais”, restrições de viagem e requisitos rígidos de higiene, são algumas.

É exatamente sobre este pensamento e sobre as restrições de viagens que surgem ideias que vão colmatar essas necessidades futuras, a digitalização e o 3D é uma realidade que não podemos ignorar e os serviços “low touch” e o e-commerce que no nosso entender serão uma vantagem competitiva para quem estiver preparado.

GCNP: O que é que considera que deve ser feito, nomeadamente pelas PME, para que a economia recupere desta crise e se construa uma sociedade mais resiliente?

MP: A crise que vivemos deve ser combatida com união, esta união faz a força de um país, é, portanto, o momento certo para que estejamos unidos a representar Portugal e as suas enormes vantagens, temos uma indústria constituída principalmente por pequenas e médias empresas que nesta fase se questionam sobre a sua continuidade por falta de apoios financeiros e de suporte na sua promoção, apesar das capacidades técnicas, muitas nunca conseguirão dar o salto.

É imperativo que seja imposta uma economia de partilha e colaborativa, de i4.0, de design, de modelos de negócio, de reparação e remanufactura, de I&D ou de educar e informar instituições públicas, empresas e cidadãos sobre o porquê e o valor dessas opções.

A economia circular é sem dúvida um fator de resiliência e competitividade. Estamos a viver um momento onde devemos pôr em prática todas as políticas que estão no papel e traduzir em escala com incentivos financeiros e de conhecimento, apostar na economia circular assente numa transformação dos mecanismos que regem a nossa economia – a produção e o consumo.

Temos de conhecer a fundo os pontos fracos e fortes da indústria para assim podermos trabalhar as soluções. Devemos desenvolver agendas para a Economia Circular, envolver as instituições chave, as empresas e as universidades para esta transição, trabalhar no desenvolvimento de soluções de gestão, tecnológicas, de investimento, que possam ancorar as empresas.

GCNP: Acha que o mundo vai ficar igual após esta pandemia?

MP: Estamos perante um mundo mais descentralizado e com profundas alterações. Sabendo que o mundo vai sofrer anos o impacto desta pandemia, acredito que a era pós-Covid19 terá uma economia moldada por novos hábitos e regulamentos baseados na interação reduzida do contato próximo e restrições mais rígidas de viagens e higiene, a situação que vivemos hoje mudará a forma como comemos, trabalhamos, compramos, exercitamos, como gerimos a nossa saúde, a nossa vida, como socializamos e como gastamos o nosso tempo livre - uma mudança sem precedentes.

Pessoas e organizações descobrirão os benefícios de uma nova maneira de viver e trabalhar, desafiando as normas tradicionais de negócios e estilos de vida. Embora as regras e políticas oscilem para a direita ou para a esquerda, as relações comerciais vão mudar e com isto oferecer aos clientes ainda mais transparência e confiança. Além disso, novos hábitos que agora adquirimos, permanecerão nas nossas vidas, o trabalho remoto chegou para ficar, um equilíbrio maior trabalho/família, um maior acesso ao mundo digital.
Tudo o que for local vai ganhar muita força!

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