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Acelerar a transição energética e ambiental do setor marítimo em Portugal
A Task Force Descarbonização Azul (TFDA) é uma iniciativa estratégica da UN Global Compact Network Portugal, para acelerar a transição energética e ambiental do setor marítimo em Portugal.
Pretende-se ultrapassar as barreiras ao progresso, promovendo a integração de tecnologia, inovação e boas práticas já aplicadas com sucesso no setor privado. A Task Force Descarbonização Azul é uma iniciativa contínua, estruturada em projetos anuais com objetivos e entregáveis específicos, por cada período de 12 meses.
A primeira fase fundamentou as bases da constituição da TFDA, estruturada num grupo de trabalho, um comité consultivo e parceiros estratégicos internacionais, tendo sido definidos os termos de referência do projeto a ser desenvolvido e estabelecidos canais de comunicação contínua com decisores políticos.
A Task Force Descarbonização Azul constitui-se, hoje, como uma plataforma neutra e credível, que reúne empresas do setor marítimo, energia, portos, especialistas e setor público para debater e acelerar soluções concretas para a transição energética do setor. Como estrutura de diálogo público-privada, a Task Force procura responder aos seguintes desafios:
- Transformação estrutural do setor marítimo: descarbonização, novos combustíveis, regulação europeia (FuelEU Maritime, ETS marítimo), investimento portuário e infraestrutura energética.
- Criar uma abordagem coletiva, enquanto ecossistema colaborativo, para desafios que dificilmente uma entidade consegue responder isoladamente,
- Manter um espaço neutro, credível e confiável onde empresas, setor público e especialistas trabalham sobre soluções concretas.
A TFDA teve o lançamento oficial no dia 31 de outubro de 2025, no Pavilhão dos Descobrimentos.
No dia 25 de junho de 2026, apresentaram-se os resultados da 1ª Fase da TFDA, num evento fechado, no Centro Ismaili de Lisboa. Pode ver as fotos do evento aqui.
1ª Fase da Task Force Descarbonização Azul
- Grupo de Trabalho:
- 14 entidades do setor (armadores nacionais, empresas de produção de energia e combustíveis alternativos, setor financeiro e academia)
Trabalho Desenvolvido
Durante a 1ª fase a TFDA desenvolveu um processo colaborativo que reuniu empresas, entidades públicas, especialistas e parceiros estratégicos para identificar os principais desafios e oportunidades da descarbonização do setor marítimo nacional.
Foram realizadas sessões temáticas do Grupo de Trabalho, reuniões com o Comité Consultivo e com os Parceiros Estratégicos Internacionais, bem como diversas reuniões institucionais com entidades governamentais relevantes.
Os trabalhos incidiram sobre temas fundamentais para a transição do setor, incluindo:
- enquadramento legislativo nacional, europeu e internacional;
- transição justa e desenvolvimento de competências;
- eletrificação e combustíveis alternativos;
- infraestruturas portuárias;
- inovação e transformação digital;
- mecanismos de financiamento e instrumentos de política pública.
Este processo culminou na elaboração de um conjunto de recomendações e ferramentas práticas destinadas a apoiar a descarbonização do setor marítimo em Portugal.
Entregáveis Finais 1ª Fase
Versão em Português
Versão em Inglês
2ª Fase da Task Force Descarbonização Azul
A TFDA visa aprofundar as discussões sobre alguns dos temas mais complexos identificados na primeira fase, envolvendo empresas de outros mercados para analisar exemplos e soluções, e promover fóruns de discussão europeus e internacionais, para dar visibilidade às organizações nacionais, de que são exemplo a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP 31), a decorrer na Turquia e a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano.
A 2ª fase da TFDA pretende transformar as prioridades identificadas em ação, recomendações operacionais, estruturação de operações financeiras e promoção da interoperabilidade.
Num momento em que as decisões sobre combustíveis, infraestruturas e financiamento estão a ser tomadas, pertencer a esta plataforma significa participar na construção das soluções e não apenas reagir às posições e decisões que afetam o setor.
Com a maturação dos temas e dos trabalhos desenvolvidos durante a 1ª fase, os trabalhos da próxima etapa decorrerão por eixos temáticos e justificam-se pelo seu impacto estratégico na descarbonização do setor:
- Digitalização dos Portos
- Infraestruturas & Energia
- Descarbonização das Pescas e das Atividades Marítimo-Costeiras
- Mecanismos de Financiamento e Planos de Transição
A participação na 2.ª fase da Task Force está sujeita a uma contribuição de participação, cuja informação será disponibilizada às entidades que manifestem interesse. Pode submeter a demonstração de interesse aqui.
A segunda fase terá início a 15 de outubro de 2026.
A importância estratégica do Oceano
O Oceano é composto por um conjunto de cinco bacias oceânicas distintas, cada uma com características singulares e que se encontram interligadas entre si. Ocupando aproximadamente 70% da superfície do planeta Terra, a importância do Oceano para a sobrevivência de todas as espécies — tanto terrestres como aquáticas — é cientificamente incontestável.
Apesar de ser fundamental para a regulação do clima, preservação da biodiversidade, segurança alimentar e bem-estar humano, o Oceano enfrenta ameaças cada vez mais graves, como a poluição, a sobre-exploração dos recursos, a acidificação e o aumento da temperatura.
O Oceano como regulador do clima, preservação da biodiversidade, segurança alimentar e bem-estar humano
O Papel do UN Global Compact
O UN Global Compact (UNGC) defende que as empresas, em conjunto com os governos e a sociedade civil, têm um papel essencial na proteção e regeneração dos ecossistemas marinhos. Reconhecendo a importância crítica do oceano para o desenvolvimento sustentável, o UNGC tem vindo a reforçar a sua atuação nesta área com os seus Dez Princípios, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
O UN Global Compact incentiva o setor privado a integrar a ação pelo oceano nas suas estratégias de sustentabilidade, com especial foco no ODS 14 – Proteger a Vida Marinha, promovendo soluções baseadas na ciência, cooperação multissetorial e compromisso com a melhoria contínua.
Após o lançamento dos Sustainable Ocean Principles, a UNGC lançou também a iniciativa Ocean Stewardship Coalition, que desenvolveu um conjunto de recomendações focadas em quatro áreas prioritárias de ação, onde empresas e governos podem alavancar soluções com impacto real. Neste seguimento, publicou um conjunto de guias práticos, que complementam e operacionalizam os Sustainable Ocean Principles para setores industriais específicos. Para cada princípio, estes guias apresentam um conjunto de ações concretas que podem ser implementadas, ilustradas com exemplos de boas práticas inspiradoras. Cada documento inclui ainda uma análise dos principais desafios e oportunidades de sustentabilidade associados a cada setor: aquacultura, pescas, energias renováveis offshore, petróleo e gás, portos, algas marinhas, transporte marítimo e estaleiros.
Em 2025, em parceria com a United Nations Environment Programme Finance Initiative (UNEP FI), o UNGC lançou o Ocean Investment Protocol, um documento técnico que visa alinhar a economia com a sustentabilidade do oceano, promovendo o crescimento coordenado de uma Economia Oceânica Sustentável. Durante a 3ª Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano, o UNGC lançou a iniciativa Ocean Centres, desenvolvida em parceria com a Lloyd’s Register Foundation. Esta iniciativa tem como objetivo reforçar a capacidade de sete redes nacionais do UN Global Compact (Índia, Bangladesh, Quénia, Filipinas, Brasil, Indonésia e Gana) para implementar plataformas locais de múltiplas partes interessadas, promovidas por especialistas locais.
Portugal e o Oceano
Em Portugal, o mar representa cerca de 97% do território português, com a 3ª maior da Zona Económica Exclusiva da Europa e a 20ª maior do mundo. A economia azul é responsável por cerca de 5% do PIB e assume um papel estratégico no desenvolvimento do país, abrangendo setores como turismo costeiro, pesca, transporte marítimo, energias renováveis e aquicultura.
Apesar do transporte marítimo ser um modo de transporte relativamente eficiente em termos de carbono, o setor tem enfrentado uma trajetória preocupante de crescimento nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Se não forem tomadas medidas adicionais, prevê-se um aumento das emissões de CO₂ de 14% até 2030 e 34% até 2050.
A International Maritime Organization (IMO), ao rever a sua Estratégia GEE em 2023, introduziu as metas de redução da intensidade de carbono do transporte marítimo internacional em pelo menos 40% até 2030 e de garantir que pelo menos 5% da energia utilizada no transporte marítimo internacional provém de tecnologias, combustíveis e/ou fontes de energia com emissões nulas ou quase nulas de GEE, até 2030.
A descarbonização do setor marítimo não se trata apenas de uma necessidade e exigência ambiental, mas também uma oportunidade estratégica para consolidar Portugal na economia azul sustentável, promovendo inovação, competitividade e alinhamento com os compromissos climáticos nacionais e internacionais
Consulte os Termos de Referência e a Brochura de apresentação.
97% do território português
5%
do PIB
Sustainable Ocean Principles – Princípios para um Oceano Sustentável
Uma abordagem baseada em princípios para negócios sustentáveis do oceano
Os Princípios para um Oceano Sustentável oferecem um quadro de referência para práticas empresariais responsáveis em diferentes setores e geografias ligadas ao oceano, servindo como ponto de referência comum em matéria de sustentabilidade do oceano.
Estes princípios baseiam-se e complementam os Dez Princípios do UN Global Compact, abrangendo três áreas fundamentais:
- saúde e produtividade do oceano;
- governação e envolvimento;
- dados e transparência.
A subscrição dos Princípios para um Oceano Sustentável é um compromisso aspiracional assumido por empresas de todas as dimensões, setores e níveis de maturidade na gestão do oceano. Todas as empresas são bem-vindas, desde que se comprometam a agir em prol do bem-estar do oceano, tanto para as gerações atuais como para as futuras.
Ao subscreverem estes princípios, as empresas demonstram ao mercado, aos investidores, clientes, colaboradores e a outras partes interessadas o seu compromisso com a sustentabilidade do oceano e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Mais de 150 empresas, representando líderes nas indústrias ligadas ao oceano e no setor financeiro, em 30 países, 35 setores, subscreveram os princípios, comprometendo-se com uma abordagem baseada em princípios para negócios oceânicos sustentáveis.